Coletânea da ABCP e da Enap reúne guias práticos para planejar, escrever e publicar na universidade

O livro Como Planejar, Escrever e Publicar na Universidade: lições da Ciência Política para todas as áreas, organizado por Olivia Cristina Perez (UFPI), Soraia Marcelino Vieira (UFF), Rafael Cardoso Sampaio (UFPE) e Lucas Moura Vieira (Enap), foi publicado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap) em 2026. A publicação resulta de uma parceria entre a Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), a Enap e a Revista de Sociologia e Política, e reúne textos do dossiê Oficina de Escrita Científica, publicado pela revista entre 2025 e 2026, além de capítulos inéditos. O prefácio é assinado por Bruno P. W. Reis, presidente da ABCP.
A proposta surgiu de conversas entre integrantes das diretorias da ABCP na gestão 2024-2026 e parte de um diagnóstico compartilhado: boa parte dos conhecimentos exigidos pela trajetória acadêmica não é ensinada formalmente na graduação e na pós-graduação, sendo aprendida de modo tácito, por tentativa e erro.
O livro busca oferecer referências para estudantes de pós-graduação, sem deixar de dialogar com pesquisadores em formação inicial e com trajetórias mais consolidadas. Embora parta da experiência acumulada na Ciência Política, os temas discutidos atravessam diferentes áreas do conhecimento.
Os 16 capítulos estão distribuídos em três partes. A primeira, dedicada à construção e circulação do conhecimento, trata de difusão científica, redes de pesquisa e eventos acadêmicos, ética em pesquisa, orientação, elaboração de projetos para agências de fomento e produtos técnicos e tecnológicos. A segunda concentra-se na escrita do texto científico, com capítulos sobre construção de conceitos, identidade intelectual, coautoria, explicação autoral, redação de resumos pelo modelo IMRaD e uso de inteligência artificial. A terceira aborda o processo editorial: escolha de periódicos, fluxo entre submissão e publicação, elaboração de pareceres e barreiras à publicação internacional. Segundo os organizadores, todos os textos passaram pela avaliação de dois pareceristas, conforme os critérios editoriais da revista.
Uma premissa atravessa a coletânea: escrever é parte do próprio processo de pensar e produzir conhecimento, e não uma etapa final de uma pesquisa já concluída.
Nessa perspectiva, a produção científica envolve um conjunto de práticas que precisam ser explicitadas e compartilhadas, e a boa escrita acadêmica exige combinar rigor científico e posicionamento autoral.
Alguns capítulos trazem evidências empíricas sobre a vida acadêmica. A análise de 1.183 trabalhos publicados na Revista de Sociologia e Política e na Brazilian Political Science Review entre 1999 e 2025 mostra que a média de autores por artigo passou de 1,04 para 1,96, um crescimento de 88,46%. As mulheres aparecem como primeiras autoras em 29,17% dos trabalhos, mas não há diferença estatisticamente significativa na intensidade de coautoria entre homens e mulheres.
Já o capítulo sobre publicação internacional, baseado em dados de 92 candidatos a um programa de mentoria, indica que 79% dos doutorandos em Ciência Política e áreas afins já publicaram em português, mas apenas 12% publicaram em periódico internacional em inglês.
Os principais obstáculos apontados são a falta de familiaridade com as regras de publicação internacional (28%) e a falta de incentivos (25%), enquanto só 16% identificam a proficiência em inglês como o principal problema.
O livro também discute os desafios trazidos pela inteligência artificial generativa, como a diluição da autoria e o descarregamento cognitivo, e oferece orientações para um uso ético e responsável dessas ferramentas na escrita acadêmica. Outros capítulos tratam de estratégias para aproximar a produção científica da sociedade e enfrentar a desinformação.
Ao tratar produção, circulação e comunicação do conhecimento como dimensões articuladas da atividade científica, a coletânea oferece caminhos para fortalecer o sistema de produção científica sem abrir mão do rigor. Os organizadores destacam que uma ciência de maior qualidade depende de práticas mais colaborativas, abertas ao diálogo e comprometidas com a formação de novas gerações de pesquisadoras e pesquisadores.
Em resumo:
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Sobre os organizadores
Olivia Cristina Perez é professora da Universidade Federal do Piauí (UFPI), onde atua no bacharelado em Ciências Sociais, no mestrado em Ciência Política e no doutorado em Políticas Públicas. Coordenou o Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFPI e foi editora associada da Revista Brasileira de Ciências Sociais. É diretora de Ensino de Pós-Graduação da ABCP (gestão 2024-2026) e coordena a AT Política Comparada da associação.
Soraia Marcelino Vieira é doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ e professora associada da Universidade Federal Fluminense (UFF), vinculada ao bacharelado em Políticas Públicas e à pós-graduação em Ciência Política. É Jovem Cientista do Nosso Estado (FAPERJ) e desenvolve pesquisas nas áreas de partidos políticos, eleições e políticas públicas.
Rafael Cardoso Sampaio é professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenador do Laboratório Interdisciplinar de Inteligência Artificial para métodos, democracia e sociedade. É pesquisador do INCT Participa, bolsista de produtividade do CNPq e diretor de Pesquisa da ABCP (gestão 2024-2026).
Lucas Moura Vieira é doutor em Ética e Filosofia Política pela Universidade de Brasília (UnB) e coordenador-geral de Pós-Graduação Stricto Sensu da Enap. É pesquisador colaborador do PPG-Fil/UnB e docente permanente do Mestrado Profissional em Governança e Desenvolvimento (MPGD).

FICHA TÉCNICA
Título: Como Planejar, Escrever e Publicar na Universidade: lições da Ciência Política para todas as áreas Organizadores: Olivia Cristina Perez; Soraia Marcelino Vieira; Rafael Cardoso Sampaio; Lucas Moura Vieira Editora: Enap / ABCP ISBN: 978-65-87791-84-5 Ano de Publicação: 2026 Disponível em: Repositório Enap




