Artigo analisa relações Brasil-China a partir da Teoria da Dependência
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O artigo Brazil-China Relations from the Perspective of Dependency Theory: Political Dimensions and Development Paths, de autoria de Sérgio Braga (UFPR) e Angelita Matos Souza (UNESP), foi publicado na revista International Critical Thought, periódico da Chinese Academy of Social Sciences em parceria com a Routledge/Taylor & Francis. O trabalho examina as trajetórias históricas e contemporâneas de Brasil e China a partir da Teoria da Dependência, formulada originalmente por Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto.
O objetivo central é compreender se a relação entre os dois países pode ser interpretada como uma forma de subordinação econômica e política, ou se ela abre espaço para uma modalidade de desenvolvimento associado, menos dependente e mais orientado por capacidades estatais próprias.
Para isso, os autores adotam uma abordagem histórico-estrutural e comparada, integrando fatores internos e externos na análise das trajetórias dos dois países
Metodologicamente, o artigo compara os processos de desenvolvimento brasileiro e chinês desde meados do século XX. No caso do Brasil, destaca a combinação entre industrialização associada ao capital estrangeiro, a crise da dívida externa, as reformas liberalizantes dos anos 1990 e a especialização em commodities.
No caso da China, enfatiza um modelo de desenvolvimento conduzido pelo Estado, baseado em planejamento, abertura seletiva ao capital externo e preservação de margem de manobra política.
Os resultados indicam que a China seguiu uma trajetória de desenvolvimento associado, mas não dependente, sustentada pela construção de um Estado não subordinado a potências externas e por uma coalizão política de longo prazo liderada pelo Partido Comunista Chinês. Esse percurso permitiu ao país combinar abertura ao mercado global com o fortalecimento do planejamento estatal, resultando em maior complexidade produtiva e tecnológica.
O Brasil, por sua vez, é descrito como tendo seguido um caminho oposto, marcado pela associação subordinada ao capital estrangeiro e pelo enfraquecimento das capacidades estatais a partir das reformas dos anos 1990.
Os autores apontam que, embora o país tenha registrado superávits comerciais expressivos com a China desde 2009, a relação bilateral é assimétrica: o Brasil exporta majoritariamente bens primários e importa produtos manufaturados, o que reforça sua dependência de commodities e limita a internalização tecnológica.
O artigo ressalta, no entanto, que essas assimetrias não caracterizam, por si só, uma relação de dependência entre os Estados brasileiro e chinês, já que resultam também de mecanismos de mercado e da desigual distribuição de capacidades estatais, empresariais e diplomáticas entre os dois países.
Os autores defendem que o Brasil ocupa hoje uma posição favorável para negociar parcerias mais equilibradas com a China, propondo a noção de "relative delinking" (um relativo desengajamento das potências tradicionais aliado ao fortalecimento de capacidades estatais internas) como caminho para um desenvolvimento associado e menos dependente.
Em resumo:
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Sobre os autores
Sérgio Braga é professor titular do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq e doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp.
Angelita Matos Souza é professora do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (IGCE/UNESP), campus Rio Claro, e pesquisadora do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI/UNESP).
FICHA TÉCNICA
Título: Brazil-China Relations from the Perspective of Dependency Theory: Political Dimensions and Development Paths
Autores: Sérgio Braga; Angelita Matos Souza
Ano de Publicação: 2026
Disponível em: International Critical Thought, v. 16, n. 2




