Artigo discute disputas conceituais sobre populismo e seus efeitos analíticos na Ciência Política
- publicabcp
- 21 de jul.
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O artigo Populismo como ideologia, estilo ou lógica política: disputas conceituais e implicações analíticas para a Ciência Política, de autoria de Calebe Silva de Carvalho (UnB), examina como diferentes definições de populismo (como ideologia, como estilo ou estratégia política e como lógica política) produzem consequências distintas para a pesquisa empírica em Ciência Política.
O objetivo do artigo é explicitar os pressupostos, ganhos analíticos e limites metodológicos de três famílias conceituais predominantes na literatura sobre populismo: a abordagem ideacional, associada a Mudde e Kaltwasser; a abordagem performativo-estratégica, vinculada a Moffitt, Weyland e Roberts; e a abordagem discursiva, formulada por Laclau. O autor também incorpora a tradição latino-americana clássica, representada por Germani, Di Tella e Weffort, como contraponto histórico para situar o debate contemporâneo.
A metodologia adotada é a análise conceitual estruturada, combinada com o rastreamento de implicações para a pesquisa empírica. Cada abordagem é examinada a partir de quatro dimensões fixas: núcleo definicional, mecanismo político central, unidade de análise privilegiada e condições de mensuração. O artigo recorre, de modo ilustrativo, a exemplos de lideranças como Vargas, Perón, Chávez, Trump e Bolsonaro, sem tratá-los como estudos de caso.
Os resultados mostram que a abordagem ideacional, ao definir o populismo como oposição moral entre "povo puro" e "elite corrupta", favorece a comparabilidade transnacional e a mensuração padronizada, mas corre o risco de reduzir o fenômeno ao plano das ideias.
Já a abordagem performativo-estratégica, centrada na performance de liderança e na comunicação direta, amplia o repertório de manifestações observáveis, mas enfrenta o problema da elasticidade conceitual excessiva.
A abordagem discursiva, por sua vez, explica como o "povo" é construído politicamente por meio da articulação de demandas heterogêneas, com maior custo metodológico e menor padronização para estudos de larga escala.
O artigo aponta que a controvérsia sobre se o populismo é ameaça ou correção da democracia decorre menos de desacordos empíricos e mais da adoção de definições distintas do fenômeno.
Segundo o autor, o erro metodológico mais recorrente é medir uma dimensão do conceito e tirar conclusões sobre outra. Por exemplo, usar indicadores de estilo comunicativo para inferir a presença de uma ideologia populista.
O estudo conclui que nenhuma definição é universalmente superior: a escolha conceitual deve ser orientada pela pergunta de pesquisa, pela unidade de análise e pela estratégia de mensuração adotada. O autor defende a construção de pontes metodológicas explícitas entre conceito, medida e inferência, argumentando que essa coerência permite que o dissenso teórico sobre populismo se converta em pesquisa cumulativa e comparável.
Em resumo:
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Sobre o autor
Calebe Silva de Carvalho é graduando em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB).
FICHA TÉCNICA
Título: Populismo como ideologia, estilo ou lógica política: disputas conceituais e implicações analíticas para a Ciência Política
Autor: Calebe Silva de Carvalho
Ano de Publicação: 2023
Disponível em: Revista Convergência Crítica, v. 1, n. 23




