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Cinco arenas de disputa institucional estruturam agenda contra a radicalização autoritária no Brasil

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    publicabcp
  • há 14 horas
  • 3 min de leitura

O livro Como desarmar o autoritarismo no Brasil: uma agenda para a desradicalização (Tinta da China, 2026), organizado por Conrado Hübner Mendes (USP), Fernando Romani Sales (USP) e Lucas Petroni (FGV), reúne pesquisas produzidas no âmbito do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo (LAUT). A obra parte da radicalização autoritária observada no Brasil desde 2018, agravada pela tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, para propor uma agenda de reformas institucionais capazes de conter o avanço autoritário.


Reunindo treze pesquisadoras e pesquisadores de áreas como direito, ciência política, segurança pública, comunicação, educação e religião, o livro busca identificar os fatores que contribuíram para o avanço do extremismo no país e, a partir de experiências internacionais de desradicalização, formular propostas de enfrentamento.


Metodologicamente, o livro desloca o debate sobre autoritarismo de uma explicação centrada em indivíduos radicalizados para uma análise institucional, tratando a radicalização como um processo que ocorre em três níveis  (individual, organizacional e institucional). A partir disso, os organizadores propõem uma matriz analítica estruturada em três princípios: controle democrático do poder coercitivo, imparcialidade institucional e pluralismo cívico.


Com base nesses princípios, o livro identifica cinco arenas prioritárias de disputa: a Arena da Força (forças armadas e polícias), a Arena da Justiça (sistema judicial), a Arena da Comunicação (meios digitais e imprensa), a Arena da Associação (sociedade civil, partidos e religião) e a Arena da Educação.

Cada uma dessas arenas é analisada em capítulo próprio, combinando diagnóstico e propostas de reforma.


Entre os achados, o livro aponta que as Forças Armadas foram alvo de tentativas de reinterpretação inconstitucional como "poder moderador", enquanto as polícias enfrentam aumento da letalidade contra a população negra e politização alinhada a práticas autoritárias.

No sistema de justiça, os riscos identificados incluem a seletividade punitiva e o uso do direito para perseguição de adversários (lawfare). Já a arena da comunicação é marcada pela desinformação e pela erosão dos critérios de verdade factual, sobretudo nos processos eleitorais de 2018 e 2022.


A agenda propositiva do livro inclui o reforço do controle civil sobre as Forças Armadas, o fortalecimento de corregedorias e mecanismos de responsabilização policial, a proteção do sistema de justiça contra a captura política, a regulação de plataformas digitais, o fortalecimento do jornalismo, a defesa da autonomia universitária e a reafirmação da laicidade do Estado diante da instrumentalização política da religião.


Os organizadores concluem que desarmar o autoritarismo no Brasil exige reconstruir instituições democráticas capazes de conter a violência, a parcialidade e a intolerância antes que se consolidem como estratégias normais de exercício do poder, contribuindo para o debate público sobre resistência à autocratização.


Em resumo:

  • O livro reúne 13 pesquisadores do LAUT para propor uma agenda de desradicalização autoritária no Brasil.


  • A radicalização é tratada como processo institucional, e não apenas individual, guiado por três princípios: controle democrático da força, imparcialidade institucional e pluralismo cívico.


  • A obra identifica cinco arenas de disputa: forças armadas e polícias, sistema de justiça, comunicação digital, sociedade/religião e educação.


  • Entre os achados estão a politização das forças de segurança, a seletividade do sistema de justiça e a desinformação nos processos eleitorais de 2018 e 2022.


  • A agenda propõe reformas concretas em cada arena, com o objetivo de fortalecer as instituições democráticas brasileiras.


Sobre os organizadores


Conrado Hübner Mendes é professor de direito na Universidade de São Paulo (USP) e cofundador e diretor do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo (LAUT). É doutor em direito pela University of Edinburgh e doutor e mestre em ciência política pela USP.


Fernando Romani Sales é doutorando em direito na USP, mestre em direito e desenvolvimento pela FGV-SP e pesquisador no LAUT desde 2019. É Program Officer na Coalition for Academic Freedom in the Americas (CAFA).


Lucas Petroni é professor de economia na FGV-SP e pesquisador pleno no Centro Brasileiro de Pesquisa e Planejamento (Cebrap). É doutor e mestre em ciência política pela USP.




FICHA TÉCNICA

Título: Como desarmar o autoritarismo no Brasil: uma agenda para a desradicalização

Organizadores: Conrado Hübner Mendes; Fernando Romani Sales; Lucas Petroni

Editora: Tinta da China Brasil

Ano de Publicação: 2026

ISBN: 978-65-84835-66-5

Disponível em: Tinta da China

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