Congo enfrenta o surto de ebola mais letal de sua história em meio a conflito armado e cortes na ajuda humanitária, analisa pesquisadora

Júlia Mori Aparecido, doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP, PUC-SP), analisa o atual surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC), que já soma mais de 4.900 casos confirmados e 2.300 mortes desde maio, com letalidade acima de 46%. A pesquisadora propõe o conceito de "choque gradual concentrado" para caracterizar o surto: diferente de pandemias globais como a Covid-19, ele se concentra na região leste do país, área de conflito armado intenso e de grande deslocamento populacional.
Três fatores explicam a gravidade da crise, segundo a pesquisadora: a variante Bundibugyo, distinta das cepas anteriores, driblou testes e vacinas já desenvolvidos; o conflito armado alimenta desconfiança da população em relação à resposta sanitária, com ataques a equipes de saúde e centros de tratamento; e cortes na ajuda internacional (sobretudo após a dissolução da USAID) comprometeram tanto o financiamento quanto a articulação institucional da resposta. A pesquisadora conclui questionando o conceito de "segurança sanitária global", argumentando que a mobilização internacional só ocorre quando o risco parece se aproximar dos países financiadores, não quando a mortalidade cresce na origem do surto.
Escute o episódio completo no site Podcast Unesp: Em meio a conflitos armados, Congo enfrenta pior surto de Ebola da história, avalia pesquisadora da Unesp.
Em resumo:
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