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Congo enfrenta o surto de ebola mais letal de sua história em meio a conflito armado e cortes na ajuda humanitária, analisa pesquisadora

Foto do escritor: publicabcp
publicabcp
há 22 horas
2 min de leitura


Júlia Mori Aparecido, doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP, PUC-SP), analisa o atual surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC), que já soma mais de 4.900 casos confirmados e 2.300 mortes desde maio, com letalidade acima de 46%. A pesquisadora propõe o conceito de "choque gradual concentrado" para caracterizar o surto: diferente de pandemias globais como a Covid-19, ele se concentra na região leste do país, área de conflito armado intenso e de grande deslocamento populacional.


Três fatores explicam a gravidade da crise, segundo a pesquisadora: a variante Bundibugyo, distinta das cepas anteriores, driblou testes e vacinas já desenvolvidos; o conflito armado alimenta desconfiança da população em relação à resposta sanitária, com ataques a equipes de saúde e centros de tratamento; e cortes na ajuda internacional (sobretudo após a dissolução da USAID) comprometeram tanto o financiamento quanto a articulação institucional da resposta. A pesquisadora conclui questionando o conceito de "segurança sanitária global", argumentando que a mobilização internacional só ocorre quando o risco parece se aproximar dos países financiadores, não quando a mortalidade cresce na origem do surto.



Em resumo:

  • O atual surto de ebola na RDC é o mais letal da história do país, concentrado na província de Ituri, em conflito armado.


  • A variante Bundibugyo driblou o arsenal de testes e vacinas desenvolvido para cepas anteriores, atrasando a resposta.


  • O conflito gera desconfiança da população em relação às medidas sanitárias, incluindo ataques a equipes de saúde.


  • Cortes na ajuda humanitária, sobretudo com o fim da USAID, comprometeram financiamento e articulação da resposta.




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