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Crise climática redefine poder, segurança e desigualdade nas relações internacionais

Foto do escritor: publicabcp
publicabcp
29 de set.
2 min de leitura


Helena Margarido Moreira (FECCAP) e Fernanda Mello Sant’Anna (UNESP) são as convidadas do episódio 411 do Chutando a Escada, conduzido por Flávio Lira (UNIPAMPA/GEsEu), que parte dos deslizamentos de terra na fronteira entre Nepal e China para discutir como a crise climática vem reorganizando a política internacional.

 

As pesquisadoras argumentam que a fronteira entre desastre natural e desastre amplificado pela ação humana é cada vez mais tênue, e que a vulnerabilidade a eventos extremos é socialmente e politicamente construída. Sant’Anna destaca que a mitigação costuma receber mais atenção do que a adaptação por envolver mecanismos de mercado, enquanto a adaptação depende de investimento público em infraestrutura, justamente num contexto de avanço de políticas neoliberais. A ideia de "zonas de sacrifício" ajuda a explicar por que populações de baixa renda e grupos atingidos pelo racismo ambiental sofrem os piores impactos, como se viu nas enchentes do Rio Grande do Sul.


No plano geopolítico, a conversa aborda a transição energética como uma redistribuição de poder que, para a América Latina, reproduz a lógica do extrativismo colonial: enquanto China e Estados Unidos disputam a liderança tecnológica, o Sul Global segue relegado à extração de minerais críticos. Moreira analisa a "dupla identidade" chinesa, maior emissora de gases de efeito estufa e líder em energia limpa, como estratégia de segurança energética, industrialização e projeção de poder diante do vácuo deixado pelos Estados Unidos. 


O episódio discute ainda o negacionismo climático como ferramenta política deliberada, associada ao neoliberalismo autoritário e à desregulamentação ambiental, os limites de instituições como a ONU diante da soberania dos Estados e os caminhos do Sul Global para exigir reparações, como o fundo de perdas e danos, a litigância climática e a reforma das instituições financeiras internacionais.


Escute o episódio completo no site Chutando a Escada e no Spotify. 


Em resumo:

  • Eventos extremos são cada vez mais amplificados pelo aquecimento global, e a vulnerabilidade a eles é social e politicamente construída.

  • A adaptação climática, por depender de políticas públicas, perde espaço para a mitigação em um cenário de avanço neoliberal.

  • A transição energética reposiciona China e Estados Unidos, mas mantém a América Latina no papel de fornecedora de minerais críticos.

  • O negacionismo climático funciona como estratégia política deliberada, ligada à desregulamentação ambiental e a ataques à ciência.

  • O Sul Global se articula em coalizões como o G77 e a AOSIS para exigir financiamento, reparações e a efetivação do fundo de perdas e danos.



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