Crise climática redefine poder, segurança e desigualdade nas relações internacionais

Helena Margarido Moreira (FECCAP) e Fernanda Mello Sant’Anna (UNESP) são as convidadas do episódio 411 do Chutando a Escada, conduzido por Flávio Lira (UNIPAMPA/GEsEu), que parte dos deslizamentos de terra na fronteira entre Nepal e China para discutir como a crise climática vem reorganizando a política internacional.
As pesquisadoras argumentam que a fronteira entre desastre natural e desastre amplificado pela ação humana é cada vez mais tênue, e que a vulnerabilidade a eventos extremos é socialmente e politicamente construída. Sant’Anna destaca que a mitigação costuma receber mais atenção do que a adaptação por envolver mecanismos de mercado, enquanto a adaptação depende de investimento público em infraestrutura, justamente num contexto de avanço de políticas neoliberais. A ideia de "zonas de sacrifício" ajuda a explicar por que populações de baixa renda e grupos atingidos pelo racismo ambiental sofrem os piores impactos, como se viu nas enchentes do Rio Grande do Sul.
No plano geopolítico, a conversa aborda a transição energética como uma redistribuição de poder que, para a América Latina, reproduz a lógica do extrativismo colonial: enquanto China e Estados Unidos disputam a liderança tecnológica, o Sul Global segue relegado à extração de minerais críticos. Moreira analisa a "dupla identidade" chinesa, maior emissora de gases de efeito estufa e líder em energia limpa, como estratégia de segurança energética, industrialização e projeção de poder diante do vácuo deixado pelos Estados Unidos.
O episódio discute ainda o negacionismo climático como ferramenta política deliberada, associada ao neoliberalismo autoritário e à desregulamentação ambiental, os limites de instituições como a ONU diante da soberania dos Estados e os caminhos do Sul Global para exigir reparações, como o fundo de perdas e danos, a litigância climática e a reforma das instituições financeiras internacionais.
Escute o episódio completo no site Chutando a Escada e no Spotify.
Em resumo:
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