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Ditaduras que fingem ser democracias revelam força do modelo liberal, aponta artigo

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    publicabcp
  • há 18 horas
  • 3 min de leitura

O artigo A teoria dos ciclos históricos e o futuro da democracia liberal, de André Silva de Oliveira, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foi publicado na Revista Ocidente v. 2, n. 1. O trabalho examina criticamente as tentativas teóricas de extrair do desenvolvimento histórico padrões ou ciclos capazes de sustentar predições sobre cenários futuros, com atenção particular ao debate em torno da sobrevivência ou colapso das democracias liberais diante da ascensão de movimentos autoritários.


O objetivo central do artigo é avaliar se a teoria dos ciclos históricos oferece fundamentos metodológicos sólidos para analisar o presente e antecipar o futuro político. Para isso, o autor mapeia duas grandes correntes antagônicas: a que sustenta que a história se move por ciclos ou ondas observáveis, representada por autores como Platão, Karl Marx e Samuel Huntington, e a que, apoiada em Karl Popper, defende que o desenvolvimento histórico é marcado pela incerteza permanente, tornando inviável qualquer predição baseada em padrões determinísticos.


A abordagem é teórica e bibliográfica, mobilizando a literatura institucionalista contemporânea em diálogo com autores clássicos do historicismo.


O trabalho percorre desde as formulações platônicas sobre ascensão e queda dos impérios até os debates recentes sobre a "morte" das democracias liberais, passando pela teoria popperiana do "fio condutor histórico" e pelos estudos sobre regimes híbridos e autoritarismos competitivos.

O artigo aponta que a teoria dos ciclos históricos carece de consistência metodológica justamente porque não consegue determinar, nem mesmo no tempo presente, se as democracias liberais estão em avanço ou retrocesso. 


O autor ilustra esse limite com a trajetória errática de Steven Levitsky: em 2018, o cientista político anunciou a iminente "morte" das democracias liberais, para, em 2023, reconhecer sua surpreendente resiliência: uma guinada que o próprio artigo interpreta como evidência da incapacidade preditiva dos modelos cíclicos.


A conclusão principal, no entanto, não é de pessimismo. O autor argumenta que, embora a história não siga trajetórias lineares ou cíclicas, é possível identificar nela um gradual predomínio das democracias liberais sobre os regimes concorrentes.

O indicador mais revelador desse movimento é o advento das chamadas "ditaduras do spin" (spin dictatorships): regimes híbridos que, incapazes de dispensar eleições e o reconhecimento formal de direitos políticos e civis, absorveram elementos constitutivos das democracias liberais, ainda que com distorções deliberadas


Para o autor, esse fenômeno sinaliza não o declínio do modelo democrático-liberal, mas sua força diante das ameaças autoritárias.

O artigo contribui para o debate acadêmico ao oferecer uma leitura alternativa às interpretações mais pessimistas sobre o futuro da democracia liberal, deslocando o foco das predições apoiadas em ciclos para a análise institucionalista das condições que sustentam (ou minam) as democracias ao longo do tempo. 


O autor defende que o individualismo metodológico, com sua lógica de teste e erro, constitui o guia mais racional disponível para o aprimoramento contínuo das instituições democráticas em um cenário de permanente incerteza.



Em resumo:

  • O artigo examina duas abordagens opostas sobre o desenvolvimento histórico: a teoria dos ciclos, que identifica padrões observáveis, e a perspectiva popperiana da incerteza permanente.


  • A teoria dos ciclos históricos é criticada por sua incapacidade de determinar, mesmo no tempo presente, se as democracias liberais estão avançando ou recuando.


  • O surgimento das "ditaduras do spin", regimes híbridos que simulam procedimentos democráticos para não se tornarem párias internacionais, é interpretado como sintoma da força do modelo democrático-liberal, não de seu declínio.


  • O artigo conclui que a história não segue padrões cíclicos determinísticos, mas permite identificar um gradual predomínio das democracias liberais sobre os regimes concorrentes.


  • O autor defende o institucionalismo e o individualismo metodológico como alternativas mais adequadas às predições baseadas em ciclos históricos.


Sobre o autor


André Silva de Oliveira é doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Possui mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal do Pará (2010), especialização em Direito Público pela Faculdade do Pará (2005) e graduação em Direito pela Universidade Federal do Pará (1984). Cofundador e primeiro presidente do Instituto Liberal do Pará, eleito para o mandato de 2020-2022.




FICHA TÉCNICA

Título: A teoria dos ciclos históricos e o futuro da democracia liberal 

Autor: André Silva de Oliveira

Ano de publicação: 2026


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