Livro situa a era das redes sociais dentro da história das crises democráticas

A crise da democracia é um tema recorrente, mas isso não significa que ela seja um sinal de colapso iminente do sistema. O livro A crise da democracia na era das redes sociais, de autoria de Gustavo Bohrer Paim (Unisinos), publicado pela Livraria do Advogado (Porto Alegre, 2024), examina a democracia representativa a partir de sua origem, suas fases históricas e os ciclos de crise que a acompanham, com atenção especial ao período marcado pelas redes sociais digitais.
O objetivo central da obra é investigar se a democracia atravessa uma crise e, em caso afirmativo, se esse fenômeno decorre do avanço dos meios de comunicação, sobretudo das redes sociais digitais. O autor busca compreender se as crises seriam inerentes à própria forma democrática de governo, e não um desvio ou anomalia do sistema.
Para isso, o livro adota um conceito de tipologia intermediária de democracia e percorre o estudo da representação política: sua origem, a lógica da escolha dos representantes, a responsabilidade destes perante os representados e o papel dos partidos políticos. A partir dessa base teórica, a obra avança para sua parte especial, dedicada à análise da crise da democracia na era das redes sociais.
Os resultados indicam que a democracia liberal atravessa, de fato, uma crise, mas que esse não é um fenômeno inédito.
O autor observa que crises acompanham a democracia ao longo de toda a sua história, desde a democracia direta até a representação pelos notáveis, a democracia dos partidos e o advento dos meios de comunicação de massa, até chegar à era das redes sociais.
A obra caracteriza o momento atual como uma "crise da era dos extremos". As redes sociais alteram o papel do cidadão, que deixa de ser um receptor passivo de informação para se tornar um potencial propagador de dados, opiniões e desinformação, sem necessidade de filtro e com alcance de reverberação instantânea. Esse cenário favorece a formação de câmaras de eco e casulos informacionais, que podem intensificar a radicalização e a polarização.
O livro também discute os mecanismos psicológicos e sociais desse processo: grupos ensimesmados tendem a se fechar a pontos de vista diferentes e a valorizar argumentos que reforçam suas posições prévias, enquanto a busca por reconhecimento no grupo cria condições propícias à espiral do silêncio entre opiniões divergentes.
A convivência constante com posições consonantes, por sua vez, reforça a confiança na própria posição e favorece discursos mais incisivos e radicalizados.
Ao situar a atual crise democrática dentro de um processo histórico mais amplo, o autor busca demonstrar a importância de se identificar caminhos que mitiguem as instabilidades e tensões inerentes à democracia, sem subestimar os riscos que a plataformização da esfera pública representa para sua legitimidade e sua essência deliberativa.
Em resumo:
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Sobre os autores
Gustavo Bohrer Paim é doutor em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), pós-doutor em Ciência Jurídico-Política pela Universidade de Lisboa e doutorando em Ciência Política pela UFRGS. É professor de Direito Eleitoral e Ciência Política na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

FICHA TÉCNICA
Título: A crise da democracia na era das redes sociais
Autor: Gustavo Bohrer Paim
Editora: Livraria do Advogado
ISBN: 859590108
Ano de Publicação: 2024
Disponível em: Livraria do Advogado




