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Artigo propõe modelo de escrita científica centrado na explicação autoral

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    publicabcp
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

O artigo A centralidade da explicação autoral na escrita científica: proposta de modelo analítico-interpretativo, de Olivia Cristina Perez (UFPI), foi publicado na Revista de Sociologia e Política (v. 33, 2025). O estudo parte da constatação de que manuscritos submetidos a periódicos de Ciências Sociais frequentemente reproduzem teorias sem desenvolver interpretações próprias dos dados, o que reduz a contribuição analítica dos artigos e compromete suas chances de publicação.


O objetivo do trabalho é propor um modelo de escrita científica que coloca a explicação autoral no centro do artigo. A autora argumenta que a originalidade de um texto científico não reside apenas na escolha de um tema ainda não explorado, mas sobretudo na interpretação construída pelo próprio pesquisador sobre os resultados alcançados

Nesse sentido, o modelo busca tornar mais evidente a função da explicação em cada seção do manuscrito, sem romper com o formato IMRaD (acrônimo para Introduction, Methods, Results and Discussion) já consolidado na literatura sobre escrita acadêmica.


A abordagem adotada é qualitativa e interpretativa, e articula dois eixos principais: uma revisão não sistemática da literatura sobre escrita científica e a experiência editorial acumulada pela autora, que atuou como editora associada em um periódico de Ciências Sociais entre 2019 e 2021 e desde 2024 dirige uma editora universitária. 


Essa combinação entre análise bibliográfica e experiência prática orientou a identificação de dificuldades recorrentes em manuscritos, como o uso instrumental da teoria e a interpretação limitada dos achados.


Os resultados propõem um modelo estruturado em torno de três operações fundamentais: a definição precisa do problema de pesquisa e da lacuna teórica; a explicitação de critérios e decisões metodológicas; e a apresentação dos achados acompanhada de interpretação autoral ancorada nos dados. 

O modelo distingue três operações distintas: descrição dos dados, mobilização de teoria e explicação analítica; e aponta esta última como o componente que efetivamente diferencia a contribuição científica de um artigo. Exemplos operacionais incluídos no texto mostram como transformar dados brutos e categorias analíticas em explicação substantiva.


O artigo sustenta ainda que a reprodução acrítica de referenciais não é apenas um problema de estilo ou competência individual, mas tem raízes na colonização da ciência, que historicamente incentivou a citação de autores consagrados em detrimento da construção de interpretações próprias


Nesse sentido, o trabalho dialoga com perspectivas críticas que questionam a neutralidade científica e valorizam epistemologias e categorias formuladas a partir de outras trajetórias, como as elaboradas por autoras e autores do pensamento negro e indígena brasileiro.

A autora conclui que o fortalecimento da explicação autoral melhora a qualidade analítica dos artigos, favorece o diálogo crítico com teorias existentes e reduz a reprodução automática de referenciais. O modelo proposto é apresentado como ponto de partida, não como guia rígido, aplicável a diferentes tradições metodológicas. O artigo também aponta que tornar explícitas práticas de escrita e expectativas editoriais que costumam permanecer implícitas na formação acadêmica contribui para democratizar o acesso ao processo de publicação e ampliar a diversidade de vozes na produção científica.



Em resumo:

  • Manuscritos de Ciências Sociais frequentemente reproduzem teorias sem desenvolver interpretação própria, o que limita sua contribuição analítica e reduz as chances de publicação.


  • O artigo propõe um modelo de escrita científica baseado no formato IMRaD que coloca a explicação autoral, e não a descrição ou a reprodução teórica, no centro de cada seção do artigo.


  • O modelo distingue três operações: descrição dos dados, mobilização de teoria e explicação analítica, destacando esta última como componente distintivo da contribuição científica.


  • A reprodução acrítica de referenciais é interpretada como herança da colonização da ciência, que historicamente inibiu a construção de interpretações próprias por pesquisadores.


  • O modelo é apresentado como referência aplicável a diferentes abordagens metodológicas e como instrumento para democratizar o acesso à publicação científica.



Sobre a autora


Olivia Cristina Perez é professora de Ciências Sociais da Universidade Federal do Piauí (UFPI), onde atua no bacharelado em Ciências Sociais, no mestrado em Ciência Política e no doutorado em Políticas Públicas. É diretora da Editora da UFPI (EDUFPI) e integra a diretoria de Ensino de Pós-Graduação da ABCP (gestão 2024–2026). Foi editora associada da Revista Brasileira de Ciências Sociais (RBCS/Anpocs) entre 2019 e 2021. Desenvolve pesquisas e cursos voltados à escrita e à publicação científica nas Ciências Sociais.




FICHA TÉCNICA

Título: A centralidade da explicação autoral na escrita científica: proposta de modelo analítico-interpretativo 

Autora: Olivia Cristina Perez

Ano de publicação: 2025




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