top of page

Livro examina desmonte de políticas públicas, protestos e repressão no contexto do conservadorismo de extrema direita no Brasil

  • Foto do escritor: publicabcp
    publicabcp
  • há 23 horas
  • 4 min de leitura

Gênero, igualdade racial e direitos LGBTQIA+ na ascensão do conservadorismo: desmonte, protesto e repressão, organizado por Euzeneia Carlos (UFES), Matheus Mazzilli Pereira (UFRGS), Cristiano Rodrigues (UFMG) e Eduardo Georjão Fernandes (UnB), foi publicado pela Editora Fino Traço em 2025. A obra reúne onze capítulos produzidos no âmbito de um projeto de pesquisa colaborativa desenvolvido entre 2021 e 2024, e examina as transformações nas políticas públicas e no ativismo da sociedade civil a partir da ascensão do conservadorismo de extrema direita no Brasil, com ênfase no período que vai do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, ao fim do governo Bolsonaro, em 2022.


O objetivo central do livro é analisar a relação entre o conservadorismo de extrema direita, o desmonte de políticas públicas e as mobilizações contestatórias da sociedade civil nas áreas de gênero, igualdade racial e direitos LGBTQIA+.


A obra parte de uma questão analítica específica: como a adoção do conservadorismo de extrema direita nas ações governamentais produziu transformações nas políticas públicas e na organização dos movimentos sociais? 

Para tanto, os autores entrelaçam três eixos de análise: desmonte, protesto e repressão, articulando-os em torno das disputas travadas no campo dos direitos humanos ao longo desse período.


A metodologia combina métodos qualitativos e quantitativos aplicados ao período de 2015 a 2022. Entre as ferramentas utilizadas estão análise de documentos e discursos, entrevistas com gestores, conselheiros e ativistas, além de levantamentos sobre evolução orçamentária, análise de eventos de protestos e mapeamento de propostas legislativas


A perspectiva comparada entre os diferentes setores (mulheres, igualdade racial e LGBTQIA+) permite identificar mudanças e continuidades nas políticas públicas e nas formas de mobilização ao longo do período analisado.


Os capítulos reunidos na Parte I da obra identificam que as mudanças promovidas pelo governo Bolsonaro resultaram no desmonte de políticas setoriais que vinham de um processo de consolidação nos governos anteriores.


No caso das políticas para mulheres, o estudo aponta que a transversalidade de gênero foi substituída pela transversalidade da família no âmbito do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), gestão de Damares Alves. 

Nas áreas de igualdade racial e direitos LGBTQIA+, os autores identificam trajetórias similares de esvaziamento progressivo, que afetaram estruturas burocráticas, orçamentos, programas e instâncias de participação social. O livro descreve esse processo como intencional e progressivo, que vai de formas menos visíveis e sutis de desmonte para estratégias mais ativas.


A Parte II examina os ciclos de protestos da última década, argumentando que as mobilizações foram tanto reativas aos retrocessos introduzidos pelos governos Temer e Bolsonaro quanto proativas na defesa de pautas históricas dos movimentos feminista, negro e LGBTQIA+.

No que diz respeito à repressão, o livro aponta para a manutenção de padrões históricos e seletivos de policiamento de protestos, com a mobilização de táticas repressivas contra grupos percebidos pelas autoridades como mais ameaçadores e contra as manifestações de caráter mais disruptivo. 


Os autores identificam ainda que o Legislativo emergiu, especialmente nos últimos anos do governo Bolsonaro, como arena central de disputa pela regulamentação do direito de protesto.


Ao articular os três eixos de análise, a obra argumenta que as transformações nas políticas públicas e no ativismo estão mutuamente articuladas às dinâmicas de retrocesso democrático e de repressão governamental. 


Os organizadores situam o livro em diálogo com a literatura sobre participação social, movimentos sociais e políticas públicas no Brasil, examinando essa agenda no contexto de crises e retrocessos democráticos recentes, e contribuindo para a compreensão das condições em que direitos conquistados são desmantelados e das formas pelas quais a sociedade civil responde a esse processo.



Em resumo:

  • O livro analisa as transformações nas políticas públicas e no ativismo social durante a ascensão do conservadorismo de extrema direita no Brasil, com foco no período 2015–2022.


  • Os capítulos identificam o desmonte progressivo e intencional das políticas para mulheres, promoção da igualdade racial e direitos LGBTQIA+.


  • Os protestos dos movimentos feminista, negro e LGBTQIA+ são analisados como reações ao retrocesso democrático e como estratégias de enfrentamento a formas históricas de violência e discriminação.


  • A repressão a protestos seguiu padrões históricos e seletivos, sendo direcionada preferencialmente a grupos considerados mais ameaçadores pelas autoridades.


  • A obra articula três eixos (desmonte, protesto e repressão) para mostrar que as mudanças nas políticas públicas e no ativismo se afetam mutuamente no contexto de erosão democrática.



Sobre os organizadores


Euzeneia Carlos é doutora em Ciência Política pela USP e professora do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), onde coordena o Núcleo Participação e Democracia (Nupad). É pesquisadora do Cebrap e do INCT Participa, e bolsista de Produtividade do CNPq PQ2.


Matheus Mazzilli Pereira é doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor do Departamento de Sociologia e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da mesma instituição. É pesquisador do Grupo de Pesquisa Associativismo, Contestação e Engajamento (GPACE) e do INCT Participa.


Cristiano Rodrigues é professor do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFMG. É coordenador do GERAL-UFMG: Grupo de Estudos sobre Raça e América Latina e foi Professor Visitante da Cátedra Fulbright de Estudos Brasileiros na Universidade de Pittsburgh.


Eduardo Georjão Fernandes é doutor em Sociologia pela UFRGS e professor do Instituto de Ciência Política (IPOL) da Universidade de Brasília (UnB). É pesquisador do INCT Participa e do Grupo de Pesquisa Associativismo, Contestação e Engajamento (GPACE).




FICHA TÉCNICA

Título: Gênero, igualdade racial e direitos LGBTQIA+ na ascensão do conservadorismo: desmonte, protesto e repressão 

Organizadores: Euzeneia Carlos, Matheus Mazzilli Pereira, Cristiano Rodrigues e Eduardo Georjão Fernandes

Editora: Fino Traço

ISBN: 978-85-8054-742-9

Ano de publicação: 2025



Em Destaque

Newsletter

Associado:

Icone rodapé - avião Preto.png

Assine nossa newsletter

  Sua Inscriçãa foi realizada com sucesso!  

Siga nossas redes sociais:

© 2023 por ABCP - Associação Brasileira de Ciência Política, All rights reserved.

bottom of page