Atraso no pagamento de salários gera punição severa nas urnas, aponta pesquisa
- publicabcp
- há 17 minutos
- 3 min de leitura

O estudo intitulado The Impact of State Public Debt on the Electoral Performance of Governors in Brazil (1998-2022), publicado na revista Desafíos, foi desenvolvido pelos pesquisadores Fabiano Guilherme Mendes Santos, Bruno Marques Schaefer e Shamira Rossi Machado, vinculados ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ).
O objetivo central da pesquisa é investigar a relação entre as políticas fiscais e o desempenho eleitoral, analisando especificamente como a dívida pública estadual influencia o sucesso de governadores e de seus sucessores políticos no Brasil.
A tese apresentada pelos autores sustenta que a dívida gera dois efeitos políticos distintos, dependendo do momento em que ocorre. Em uma fase inicial, o endividamento pode ser utilizado como estratégia para ampliar a margem de manobra do governador, promovendo o crescimento econômico e consolidando sua base eleitoral.
Contudo, à medida que a situação fiscal se agrava e exige a implementação de medidas de austeridade, como o atraso no pagamento de salários, o impacto sobre o desempenho eleitoral tende a se tornar negativo.
Para testar essas hipóteses, a pesquisa utilizou uma base de dados que cruza informações fiscais com resultados eleitorais entre 1998 e 2022. Diante da ausência de dados unificados sobre taxas de dívida para todo o período, o estudo adotou o indicador de juros e encargos da dívida como uma proxy para mensurar a pressão financeira sobre os estados.
A análise foi dividida em dois estudos empíricos: uma avaliação longitudinal focada nas unidades federativas e outra análise detalhada em nível municipal, centrada especificamente no contexto da eleição de 2018.
Os resultados do segundo estudo, focado nas medidas de austeridade, indicam que governadores que atrasaram salários do funcionalismo sofreram punições eleitorais severas em contextos de crise fiscal aguda. Essa penalidade mostrou-se maior em municípios cuja economia é mais dependente da administração pública. Segundo os dados apresentados, em cidades com dependência média do setor público, a diferença na votação entre governadores que atrasaram salários e os que mantiveram os pagamentos em dia chegou a superar 13 pontos percentuais.
O estudo conclui que a relação entre economia e voto não é estática, sendo mediada pelo contexto fiscal e pelo grau de dependência econômica local. A pesquisa contribui para os debates sobre responsabilidade fiscal e voto retrospectivo ao evidenciar que políticas de ajuste severas, como o não pagamento de salários, impõem custos políticos claros aos incumbentes, afetando mais duramente regiões economicamente vulneráveis.
Em resumo:
|
|---|
Sobre os autores:
Fabiano Guilherme Mendes Santos possui graduação em ciências sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ), mestrado e doutorado em ciência política pelo antigo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). É professor titular do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ).
Bruno Marques Schaefer é doutor e mestre em Ciência Política pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IFCH-UFRGS). É professor de Ciência Política no IESP-UERJ.
Shamira Rossi Machado é cientista política, economista e mestre em Ciência Política no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
FICHA TÉCNICA
Título: The Impact of State Public Debt on the Electoral Performance of Governors in Brazil (1998-2022)
Autoras: Fabiano Guilherme Mendes Santos, Bruno Marques Schaefer e Shamira Rossi Machado
Ano de Publicação: 2025
Disponível em: Revista Desafíos, vol. 37 n.2








