Mídia e construção social do misoprostol no Brasil
- publicabcp
- 25 de fev.
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O artigo De ‘droga do século XXI’ a ‘abortivo vendido ilegalmente’: a vida midiática do misoprostol no Brasil, de Mariana Prandini Assis e Rayani Mariano dos Santos (UFG), publicado na Revista Brasileira de Ciências Sociais, analisa o papel da grande imprensa brasileira na construção social do misoprostol (Cytotec) ao longo de quatro décadas.
O estudo tem como objetivo reconstruir a chamada “vida social” do misoprostol na imprensa brasileira entre 1980 e 2019, demonstrando como a cobertura midiática contribuiu para transformar uma inovação farmacêutica, inicialmente associada ao tratamento de úlcera gástrica, em um “abortivo ilegal” vinculado a risco, criminalidade e ameaça à saúde pública.
As autoras destacam o caráter inédito e longitudinal da pesquisa, bem como a centralidade dos grandes jornais nacionais na produção de sentidos sociais sobre o fármaco.
A metodologia baseia-se na análise de 203 matérias publicadas nos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo, permitindo identificar mudanças de enquadramento ao longo do tempo.
A pesquisa evidencia a passagem de uma narrativa inicial de “revolução farmacológica” para discursos marcados por noções de “mau uso”, apreensões policiais, consumo ilegal e restrições regulatórias, especialmente no âmbito da atuação da Anvisa.
Entre os principais achados, o artigo demonstra que a mídia atua ativamente na construção de estigmas e na produção de desinformação sobre o misoprostol, influenciando a regulação estatal e o enquadramento do aborto como problema público. A análise evidencia como discursos midiáticos reforçam marcos regulatórios punitivos e limitam a consolidação de políticas de saúde baseadas em evidências.
Do ponto de vista social, o estudo aponta que a cobertura jornalística estigmatizante tem impactos diretos sobre a vida de mulheres e outras pessoas que gestam, dificultando o acesso a um medicamento seguro e ampliando desigualdades em saúde reprodutiva. As autoras indicam, ainda, que a imprensa pode, em determinados contextos, contribuir para abordagens mais equilibradas e comprometidas com direitos reprodutivos e justiça social.
Em resumo:
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Sobre as autoras
Mariana Prandini Assis é professora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás (UFG) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Relações Internacionais da mesma instituição. Integra o grupo de pesquisa transnacional Colectiva Protesta e é cofundadora do Coletivo Margarida Alves de Assessoria Jurídica Popular no Brasil.
Rayani Mariano dos Santos é professora de Ciência Política na Faculdade de Ciências Sociais da UFG. Doutora (2019) e mestra (2015) em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB). Possui graduação em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (2011).
FICHA TÉCNICA
Título: De ‘droga do século XXI’ a ‘abortivo vendido ilegalmente’: a vida midiática do misoprostol no Brasil
Autores: Mariana Prandini Assis e Rayani Mariano dos Santos
Ano de Publicação: 2025
Disponível em: Revista Brasileira de Ciências Sociais, Volume 40




